Elétrica: Como os condomínios estão se adaptando a esse novo “perfil” de consumo de energia nos condomínios?

Fonte: Direcional Condomínios

Duas situações mais frequentes têm levado os condomínios a solicitar aumento de carga de energia elétrica junto às concessionárias. Primeiro, o uso cada vez mais arraigado de novos equipamentos no ambiente doméstico, como ar-condicionado ou mesmo aquecedores. Segundo, a identificação de irregularidades graves nas instalações, como cabos com sinais de aquecimento, a presença de caixas inteiras de madeira ou existência de peças e demais elementos danificados.

É comum se observarmos casos de falta de compatibilidade entre a capacidade de carga do centro de medição do prédio e a demanda solicitada pelos apartamentos que passaram por reformas ou modificações internas. Em muitos casos os disjuntores das unidades são substituídos por disjuntores com a corrente de desarme acima do que os cabos das prumadas e do centro de medição suportam, ocasionando sérios riscos aos moradores.

Centro de medição desatualizado
Centro de medição desatualizado com a norma 5410 da ABNT

Muitos condomínios tem o centro de medição projetado para atender a demanda de energia estimada na época de construção da edificação, comportando assim os equipamentos de uso padrão daquele período. No entanto, apesar da economia proporcionada por alguns equipamentos mais modernos, estamos utilizando cada vez mais aparelhos elétricos, alguns deles de potência elevada, como chuveiros elétricos, aparelhos de ar-condicionado, aquecedores, lavadora e secadora de roupas, entre outros.

PASSO A PASSO PARA O ACRESCIMO

O acréscimo de carga segue um roteiro complexo e depende de aprovação da concessionária de energia (ENEL). Recomendamos a contratação de uma empresa especialista na área, para realizar um diagnóstico das instalações e da demanda, desenvolvam o projeto executivo, encaminhem o processo e acompanhem os trabalhos.

Para o dimensionamento da demanda, é imprescindível a participação de um Engenheiro Elétrico. O consumo de energia de um edifício não pode ser dimensionado de forma linear e só um especialista poderá calcular corretamente. Por exemplo, se houver 30 unidades com 30 chuveiros elétricos, não iremos projetar uma carga como se todos viessem a funcionar simultaneamente. A potência média dos chuveiros varia de 5.600 a 9 mil watts, se todos os 30 forem ligados ao mesmo tempo, teremos uma demanda de 270 quilowatts. Há um índice padrão no mercado para dimensionar esses consumos. Por unidade residencial, é de 0,85. Já nos edifícios, a conta é outra e varia de caso a caso.

Entendendo esse ponto, resume a seguir o passo a passo de um processo de pedido de acréscimo de carga, acompanhado de adequações mínimas do sistema elétrico.

1. Diagnóstico

Realiza-se uma inspeção geral no centro de medição e quadros de distribuição para verificação das caixas, cabos e dispositivos de proteção, de modo a levantar possíveis irregularidades, a condição que apresentam. Em paralelo é feita a relação de cargas padrão para as unidades consumidoras e administração, posteriormente comparadas com os cabos e proteções das prumadas e centro de medição. Por fim, os dados coletados são analisados, confirmando-se a necessidade ou não do acréscimo de carga e/ou da manutenção corretiva do sistema elétrico.

2. Etapas

Definida a necessidade do acréscimo de carga, os trabalhos envolvem as seguintes etapas:

– Elaboração de projeto executivo para reforma do centro de medição com acréscimo de carga (este depende de aprovação da concessionária de energia);

– Reforma do centro de medição conforme projeto aprovado;

– Substituição das prumadas das unidades conforme demanda dimensionada em projeto;

– Reforma dos quadros internos das unidades, caso necessário.

Os relógios de medição são substituídos durante a reforma do centro de medição pela concessionária de energia.

3. Prazo das obras

Ele varia de acordo com o tamanho do condomínio e as dificuldades encontradas, mas em geral se estima um período de 60 a 90 dias para elaboração e aprovação do projeto junto à concessionária de energia. Depois disso, são necessários, em média, 90 dias para a execução da reforma do centro de medição e substituição das prumadas das unidades.

4. Desligamentos da rede

A concessionária de energia fica responsável pela análise do projeto, inspeção da execução dos serviços no centro de medição, realização de desligamentos e modificações na rede e instalação dos equipamentos de medição para cobrança.

Na maioria dos casos são realizados dois desligamentos: para a ligação da provisória de obra (sistema independente de energia que vai alimentar provisoriamente o edifício todo durante o período de reforma) e, depois, para a transição ao novo sistema definitivo (já reformado). Os desligamentos costumam ter duração de aproximadamente 6 horas e são realizados fora dos horários de pico, sendo comunicados aos moradores com pelo menos sete dias de antecedência.

5. Custos

Variam de acordo com a carga solicitada, número de unidades e grau das intervenções. O prestador de serviços contratado deve cuidar de todo o processo de aprovação e liberação junto à concessionaria. Os relógios são de propriedade da concessionária, que arca com sua instalação e manutenção.

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